Existem clientes que quando dependem de uma agência, tomam uma verdadeira “surra” porquê se julgam “espertos demais”. Outrora passou um cliente por aqui, dos tantos, que se julgava fenomenal na sua jornada empresarial. Tanto que declarou que determinada agência a qual tinha confiado o desenvolvimento de seu website, o havia “enrolado” durante 5 (cinco) anos.

Ora; mas que sujeito esperto não? Diante disto não falei nada, apenas pensei como sempre, que ele haveria de nos subjulgar. E foi o que ele fez. Ô Homem de pouca fé nas pessoas. Levou um safanão de um outro esperto e estava aqui, sentado a minha mesa de reunião a dizer que era pra eu não levar a mal, mas que ele não confiava. Tudo bem, direito dele. Então mostramos nossas armas e vencemos a batalha e provamos que não é assim que a coisa funciona. Hoje ele anda feliz com o trabalho que desenvolvemos e nos agradece toda vez que encontra um de nossa equipe aí pelos bares e esquinas da vida.

Para este tipo de empresário, vai uma lição da renomada Clarice Lispector:

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo, estou pensando”.
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.
O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer.
Resultado: não funciona.
Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.
Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranqüilo.
Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?”
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás, não se importam que saibam que eles sabem.
- Clarice Lispector

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